• Capítulo 7



                    — Agora vamos brincar. — O Myghtyena colocou-se sobre quatro patas mais uma vez, o olhar do Pokémon não se desgrudava do de Kiri. No semblante da tipo grama ele podia observar que sua intimidação havia sido bem sucedida, a menor estava em posição defensiva e suas patas tremiam. Imaginava que a Chikorita desejava apenas fugir, mas as palavras que havia dito antes reduziram essa possibilidade.
                    — Você não tem que fazer isso. — Atrás de Kiri, Daisy tentou um esforço final para impedir que uma luta acontecesse, mas não parecia haver chance de sucesso.
                    — O mundo não é justo florzinha. — Pendeu a cabeça para o lado com o objetivo de enxergar a Bellossom, no momento em que fez isso Kiri moveu-se para o mesmo lado obstruindo sua visão. — Mesmo encurralada ainda tenta proteger os outro? Impressionante.
                    — Pa-Para trás! — Foi a primeira vez que a Chikorita disse algo desde que viu o Mightyena, sua voz não saiu muito forte, mas era o suficiente para ser ouvida.
                    — Você tem coragem, mas já perdi tempo demais.
                    Quando o tipo Sombrio deu um passo em direção à dupla chegou, veloz como um foguete, um borrão cinzento que atingiu em cheio a cabeça do Mightyena fazendo-o cambalear para o lado oposto, sem cair, entretanto. Ainda atordoado pelo golpe surpresa a hiena voltou a ser atingida, Kiri já havia entendido que se tratava de Neil que veio para socorrer as duas, apesar de estar feliz pelo amigo estar bem, sabia que o Starly não conseguiria manter aqueles ataques por muito tempo antes de seu adversário conseguir revidar. Por esse motivo a Chikorita disparou um Razor Leaf na direção da hiena seguido de um Vine Whip, ambos os golpes atingiram em cheio.
                    — Já chega! — O Mightyena se irritou e disparou um Roar, um rugido poderoso que fez com que tanto Kiri quanto Neil se afastassem e parassem de atacá-lo.
                    — Vocês estão bem? — O Starly perguntou às companheiras, ambas assentiram. — Eu acho que... Se formos nós dois...
                    — Nós três. — Corrigiu Daisy, atraindo a atenção da dupla. — Não sou tão indefesa assim.
                    — Isso vai ser interessante. — O tipo Sombrio se colocou em posição de batalha. — Venham!
                    O primeiro movimento foi de Neil partindo para cima de seu adversário com um Wing Attack que foi esquivado facilmente, em seguida Kiri disparou mais uma rajada de Razor Leaf que atingiu o alvo, porém mal causou algum dano. Em seguida a Chikorita tentou prendê-lo com seu Vine Whip, mas a hiena agarrou o chicote com a boca e puxou com força arremessando a tipo grama na direção de Neil que estava voltando com outro ataque, fazendo com que os dois se chocassem no ar.
                    — Se atacarem um por um não vão conseguir atingi-lo! — Daisy tentou aconselhar os ainda atordoados companheiros, mas teve que tirar sua atenção de ambos quando se tornou o foco do Mightyena.
                    A hiena rosnou alto e então disparou uma onda de energia de sua boca na direção da Bellossom, um Snarl. Daisy rapidamente usou o Moonblast, criou um orbe de energia rosado em sua frente e lançou na direção do ataque adversário, ambos os golpes se chocaram causando uma pequena explosão. O Pokémon do tipo sombrio percebeu a abertura para atacar que aquela situação lhe proporcionara e saltou para cima da mais velha com um Crunch, porém antes de conseguir atingir o ataque algo se enrolou em sua pata traseira e o puxou para trás fazendo-o cair de barriga para baixo.
                    — Nada disso! — Quem havia impedido a investida do Mightyena foi Kiri usando seu Vine Whip. — Vai Neil!
                    O Starly veio voando em rasante na direção da hiena e atingiu um Wing Attack certeiro, deixando-o levemente atordoado, logo em seguida Kiri se aproximou do adversário e soltou o Poisonpowder no mesmo. Rapidamente o Mightyena, ainda no chão, tampou o focinho com as patas dianteiras.
                    — Isso não vai funcionar.
                    — Mas isso vai. — Novamente Daisy começou a preparar o Moonblast que seria um ataque super efetivo para a hiena.
                    — Não! — Tentou ir para cima da Bellossom, mas sua perna ainda estava sendo segura por Kiri.
                    O Mightyena então agiu rapidamente, disparou o Snarl contra o chão abaixo de si que fez com que a onda de energia se espalhasse na área ao seu redor, assim atingindo Daisy e fazendo-a disparar seu ataque para cima atingindo apensa uma árvore qualquer. Na sequência Neil voou em sua direção para tentar contê-lo, mas foi atingido por outro Snarl que o empurrou na direção de outra árvore chocando-se e caindo no chão em seguida. Kiri se preparou para disparar outro Razor Leaf contra seu adversário, mas a hiena agarrou o chicote que se prendia a sua pata com a mandíbula e puxou Kiri para si, atingindo-a com uma cabeçada forte.
                    — Vocês foram bem... Até pensei por um momento que causariam mais dano. — Ele olhou à sua frente e viu Kiri no chão atordoada, à sua direita Neil sem forças ainda tentando recuperar o ar do choque com a árvore e atrás de si Daisy que apesar de ser forte não tinha mais energia para acompanhar o ritmo do jovem Mightyena. — Acho que vou começar por você verdinha, você foi quem mais me encheu a paciência até agora.
                    Antes que ele se movesse até a Chikorita, um barulho vindo do matagal ao lado chamou a atenção do Mightyena, de repente um dos Poochyenas surgiu de lá como se tivesse sido jogado, o Pokémon caiu entre Kiri e o maior que o identificou como Dwane. O corpo da hiena menor estava com sinais de que havia acabado de passar por uma batalha e provavelmente perdendo.
                    — Nacht... — Foi tudo que Dwane falou antes de ficar inconsciente no chão.
                    — Se eles eram seus guarda costas eu acho que você não escolheu muito bem seu pessoal... Nacht. — Saindo do mesmo lugar de onde o Poochyena havia sido jogado, uma figura bastante familiar para Kiri e Neil fez presença no local.
                    — Ciara. — Kiri que estava mais próxima foi a primeira a ver a Absol chegando.
                    — Oi meninos, perdoem-me a demora. Esses Poochyenas não me deixavam aproximar então tive que derrubá-los primeiro. — Seu tom de voz e expressão mais calmas trazia um pouco mais de conforto para a tipo grama.
                    — O que? — Nacht olhou em volta e chamou pelos outros. — Adrien! Gidma!
                    Mas ninguém veio.
                    — Isso não vai adiantar. — Encarou o Mightyena agora com seriedade.
                    — O-O que...? — A hiena hesitou e suas patas tremeram, ele não havia percebido, mas os outros sim, Ciara estava usando Scary Face.
                    As garras da felina brilharam em roxo então a mesma se aproximou de Nacht com velocidade impressionante lhe acertando um poderoso Night Slash no rosto do adversário que fez o Mightyena ganir de dor, em seguida atingiu-o com um Quick Attack que o fez ir alguns metros para trás.
                    — Se você se render poderá sair daqui sem se machucar muito.
                    — Como ousa!
    A hiena foi ao ataque utilizando um Crunch, Ciara lançou um Detect bem sucedido em seu oponente, conseguindo prever seus movimentos e desviar facilmente de cada mordida que o Mightyena tentou atingi-la, revidando com outro Night Slash.
    — Argh! Não. — A raiva do canino ia aos poucos dando lugar ao medo, seu olhar ia de encontro à expressão de calma e seriedade inalterada de Ciara mesmo em batalha. Sua situação de dominância sobre os outros três fora destruída pela Absol que o subjugara totalmente, o tipo sombrio se sentia como uma mera presa.
                    — Suma. — Com um último e forte Quick Attack o Mightyena agora caía inconsciente. Ao olhar ao redor percebeu que Kiri e Neil a encaravam de olhos arregalados. — O que foi? — O semblante dela voltou a ser amigável quando mudou sua atenção para eles, completamente diferente de como ela conversava com Nacht.
                    — Você é assustadora quando luta a sério. — O comentário de Neil arrancou algumas risadas de Ciara que ajudaram a aliviar a tensão do momento.
    ..
                    Eram mais de três da tarde, Ciara ajudou os menores a se recuperarem então saíram daquele local e andaram até outra parte da floresta, fazendo questão de verificarem se estavam ou não sendo seguidos por algum dos Poochyenas. Depois que tiveram certeza, se acomodaram em uma área no meio de três altas arvores que se posicionavam de forma que suas raízes formavam uma espécie de triângulo torto no chão, Kiri, Neil e Daisy descansavam e se alimentavam enquanto Ciara os observava em silêncio esperando o melhor momento para falar.
                    — Kiri, Neil, Daisy. — A fala dela atraiu os olhares do grupo. — Me perdoem.
                    — Pelo que? — Falou Kiri.
                    — Eu fui informada dos Poochyenas nessa área depois que vocês partiram, mas eu não agi de imediato e acabei colocando vocês em risco.
                    — Nós saímos mais cedo que o previsto líder... Se tivéssemos ficado até a hora certa talvez soubéssemos da situação antes. — Neil respondeu, Kiri assentiu com a cabeça.
                    — Era o meu trabalho manter vocês seguros de ameaças desse tipo, sinto muito por fazer vocês passarem por isso.
                    — Crianças, olhem pra mim. — Daisy chamou a atenção para si. — O mundo é um lugar grande e situações inesperadas acontecem às vezes. O importante é que agora todos estamos seguros.
                    A Absol virou seu rosto para o lado, ainda não muito satisfeita com a situação, se culpava por tudo aquilo ter acontecido. Kiri e Neil encararam o chão sem saber o que dizer em seguida.
                    — Enfim. — Ciara continuou. — Quando estiverem prontos podem voltar para casa, eu me encarrego de terminar a missão por vocês.
                    — O que? — Responderam em conjunto.
                    — Ainda receberão a recompensa, vocês já passaram por muita coisa hoje.
                    — Líder, nós não podemos aceitar isso. — A Chikorita falou.
                    — Não estou pedindo, Kiri.
                    — Líder. — Neil quem tomou a palavra. — Vai haver momentos no futuro que não teremos você para vir nos resgatar e vamos ter que concluir nossa missão de qualquer jeito, por isso deixar você a termine por nós é como se tivéssemos falhado.
                    Ciara olhou-o com uma expressão séria por alguns segundos então sorriu de canto.
                    — Tudo bem podem continuar, mas eu vou com vocês. — Essa resposta não poderia deixar de arrancar sorrisos dos outros dois.
                    “Falou bem.” Kiri sussurrou para o amigo.
                    “Achei que ia levar bronca” Ele respondeu rindo.
                    — Agora que decidimos, devemos partir o quanto antes. — A Absol colocou-se sobre quatro patas, olhou para o céu com o objetivo de saber qual direção teriam que tomar. — O sol irá se por em pouco tempo... Se formos rápido acho que podemos chegar lá antes de anoitecer.
                    — Daisy sobe nas minhas costas. — Kiri abaixou-se perto da mais velha que fez o que foi pedido.
                    — Neil pode ir por cima das árvores dando uma olhada na área, mas não se distancie.
                    — Certo líder.
                    Assim o grupo retomou a viagem agora com a presença de Ciara que os guiava cada passo que dado. Kiri e Neil nunca estiveram com a Absol em uma missão, a líder demonstrava grande conhecimento da área. Mesmo ela já tendo lhes passado várias informações sobre a região, estar lá presencialmente a fazia relembrar dados sobre a vegetação, geografia e clima que de dentro do dojo normalmente não se recordaria. Logo os cinco já haviam cruzado uma distância considerável de onde começaram.
                    — Hm... Líder. — Chamou Kiri, Ciara estava a alguns passos adiante, atravessando o matagal.
                    — Diga.
                    — Algo passou pela minha cabeça... Foi seguro simplesmente deixarmos os Poochyenas para trás daquele jeito?
                    — Ah não se preocupe com isso.
                    — Mesmo?
                    — Sim, digamos que eu não vim sozinha. Vocês devem saber mais quando voltarmos.
                    A caminhada seguiu por mais algum tempo, aos poucos o céu ia assumindo tons alaranjados à medida que o sol foi se aproximando do horizonte. O clima do grupo estava bem tranquilo, se não fosse o próprio desgaste físico e os sinais visíveis nos corpos de alguns, nem pareceria que a árdua batalha de mais cedo havia ocorrido. Passaram por um arco formado por árvores tortas e então finalmente se viram do outro lado da Floresta Curta, a paisagem encantou a todos. O chão era coberto por flores dos mais variados tipos e das mais variadas cores, se estendendo por uma área que parecia não acabar. A luz alaranjada do pôr do sol tingia o ambiente de uma forma muito especial. Em meio à vegetação era possível ver Pokémon da linha evolutiva do Oddish, além de outros do tipo Grama e Inseto que vivam em harmonia com as belas plantas como Roselias, Seedots, Volbeats, Sunfloras, entre outros.
                    — Você veio daqui? — Kiri inspirou o agradável aroma emanado pelas flores.
                    — Sim — Daisy desceu das costas da Chikorita, a felicidade e nostalgia eram inconfundíveis na expressão da mais velha.
                    — É tão lindo...
                    Alguns Pokémon começavam a se aproximar como Glooms e Vileplumes, aparentemente reconheceram Daisy que os reconheceu de volta. Acenavam com seus pequenos braços na direção da Bellossom, dessa forma o grupo acompanhou a mais velha para encontrar seus conhecidos.
                    — Daisy! — Uma das Vileplumes chegou abraçando a amiga, esta também tinha sinais de ter uma idade mais avançada, como a grande flor vermelha em sua cabeça já desbotando e murchando. — Querida, você está linda.
                    — Obrigada, você também. — Ambas sorriram.
    A Vileplume então direcionou sua atenção ao restante dos recém chegados.
                    — Obrigada por trazerem minha irmã segura pra casa.
                    — É o nosso trabalho. — Ciara respondeu gentilmente.
                    — Se juntem a nós, tenho certeza que não querem voltar durante a noite.
                    Ciara cogitou a possibilidade de retornar à vila durante a noite, mas pelas circunstâncias que ela e os outros se encontravam o mais prudente era ficar por lá e voltar durante o dia. O grupo caminhou por entre as flores, estavam gostando do ambiente agradável, mas Kiri era a que estava mais encantada. Conforme andavam, novos Pokémon apareciam para cumprimentar Daisy, todos contentes em vê-la de volta. Eles andaram até um local onde algumas árvores invadiam o campo de flores e havia uma maior concentração de Pokémon, recebendo frutas para comer ao chegarem. Os mais novos foram os que mais lhes deram atenção perguntando sobre as equipes de resgate, sobre as aventuras que eles já tiveram e também sobre Hiroki.
                    — Hoje o Hiroki é o líder da sua própria equipe e ajuda no treinamento dos recém chegados. — Explicou Neil. — Nunca vi ele em combate, mas dizem que apenas o balançar das folhas de um Shiftry pode causar fortes ventanias.
                    — Ele é uma inspiração para todos nos. — Falou Kiri, deixando os ouvintes admirados. — Agora quem quer ouvir sobre o dia que eu e o Neil tivemos que salvar um filhote em perigo de dois Poochyenas malvados?
                    — Eu! Eu! Eu! — As crianças respondiam em coro.
                    Em outro canto Ciara e Daisy conversavam, a sós enquanto os outros se divertiam
                    — Eles são bons meninos. — A Bellossom falava de forma lenta e tranquila, segurava entre suas pequenas patas um pedaço de maçã. — Me lembram do meu sobrinho.
                    — Eles são fortes, mas acho que nem eles percebem isso.
                    — E o amigo deles, aquele Riolu?
                    — Ele é só um garoto que está perdido, ninguém precisa se preocupar com ele.
                    — Que bom.
                    — Desculpe mais uma vez por fazer você passar por tudo aquilo.
                    — Não se preocupe, acho que foi uma grande última aventura.
                    — Você contou pra eles por que fez essa viagem?
                    — A verdade? Não, eles estavam sendo muito gentis, não queria estragar o clima.
                    — Entendo, obrigada. — As duas trocaram sorrisos. — Acho que vou descansar agora.
                    — Eu sugiro você esperar só mais um pouquinho, está quase na hora.
                    — Na hora de que?
                    Quando a claridade do sol foi totalmente embora e a lua em conjunto das estrelas decoravam o céu noturno, algo fascinante acontecia nos campos floridos. Alguns tipos de flores começaram a reluzir em meio as outras, não era uma luz muito forte, mas em meio à escuridão da noite ela se destacava no ambiente. Era como se as flores tentassem replicar o céu estrelado sobre elas mesmas.
                    Kiri e Neil pararam para apreciar.
                    — Isso acontece todo dia? — A Chikorita perguntou.
                    — Só quando a lua ta bem brilhante. — Um Seedot filhote respondeu.
                    — É fantástico!
                    — Garotos, temos que descansar, começaremos o retorno bem cedo. — Ciara passou pelos dois, indo em direção ao local onde passariam a noite. Ambos deram uma leve resmungada. — Andem logo.
                    — Espero que a gente ganhe uma folga depois desses últimos dias, to morto. — Neil falou, já tomando a mesma direção que a Absol seguiu.
                    — Concordo, só quero me deitar no sol e sentir minha folha fazendo fotossíntese. — Kiri esticou todo o corpo e seguiu o amigo.
                    O local onde o trio iria dormir não era nada demais, apenas um lugar afastado dos outros, ficava em meio ás árvores e o chão tinha uma terra fofa que era confortável para se deitar. De lá ainda dava para ver o show noturno trazido pelas flores.
                    — Como será que o Richard ta indo sem nós? — O Starly perguntou, ficando sobre um galho baixo da árvore mais próxima.
                    — Vocês ficariam surpresos, antes de eu sair soube que ele ganhou uma batalha do Luke. — A Absol estava deitada  com as duas patas dianteiras apoiando sua cabeça que pendia para o lado em que seu chifre estava.
                    — Caramba! Quero ver ele lutando quando voltarmos. — Bocejou. — Mas agora só quero descansar, boa noite.
                    — Boa noite. — As outras duas o responderam de forma  dessincronizada.

    Próximo capítulo >>>
  • Michiko to Hatchin - Uma obra japonesa no (quase) Brasil

    Olá pessoal que acompanha o blog Neo Mystery Dungeon! Enquanto os próximos capítulos da nossa história estão em produção, gostaria de trazer mais um post sobre outro anime que assisti. Esse daqui eu conheci recentemente e a temática me chamou muito a atenção e decidi comentar sobre ele quando acabasse de ver todos os episódios, sem mais delongas vamos lá.

    Ficha
    Nome: Michiko to Hatchin
    Lançamento: 2008
    Número de episódios: 22 (Temporada única)
    Material original: -- 
    Classificação indicativa: +16
    Gêneros: Ação e aventura
    Nota no My Anime List: 7.85/10
    Sinopse: "Situado em um país fictício com grande similaridade com os países da América Latina, (principalmente o Brasil). Michiko é uma mulher de sangue quente que escapa da prisão e resgata Hana (Hatchin) de seus pais adotivos que a maltratam. Perseguidas pela polícia, elas partem para encontrar um homem chamado Hiroshi (possível pai de Hana) e uma maneira de serem livres."


    O anime
    Normalmente após ver alguns animes, sua mente associa as paisagens urbanas vistas nesse tipo de mídia com o que mais comumente aparece — nesse caso o "estilo japonês" de fazer suas cidades — e algo desse tipo pode estar passando pela sua mente agora, principalmente quando se trata de locais que tentam ser os mais fiéis possível com a realidade. Nesse sentido, orelhões, bares de esquina com cadeiras de plástico, favelas e veículos genuinamente brasileiros não são coisas esperadas ao assistir as obras orientais, afinal eles tendem a representar parcial ou totalmente a realidade vivida em seu próprio país, no entanto em um belo dia quando os produtores de Michiko to Hatchin faziam os primeiros esboços de sua animação pensaram "Ah que se dane, vamos pro Brasil" e foi exatamente o que eles fizeram no ano de 2007 (um ano antes do lançamento do anime) e independentemente de quem teve essa ideia, no final acabou sendo uma decisão extremamente feliz que colocou a obra na direção certa para se tornar o que é hoje. Vale ressaltar que o país em que a história acontece não é o Brasil e sim um local fictício chamado de Diamandra.
    Familiar?

    O fato de ser um local inventado permite com que eles tenham uma maior liberdade criativa e isenta eles de precisarem ter certa fidedignidade com nosso país, mas de qualquer modo seja pelo nome de grande parte dos personagens (alguns dos nomes ainda são "japonesados"), os locais por onde passam, a moeda, certos eventos culturais ou até mesmo as músicas cantadas que quando aparecem são totalmente em português brasileiro, tudo isso acompanhado de grande atenção aos detalhes que apenas enriquecem o mundo de Michiko to Hatchin você entende que os produtores olharam para cá com bastante carinho.


    Além de toda a ambientação ser familiar para nós brasileiros, o anime é muito bem dirigido e com ótimos storyboards que resultaram em lindos visuais, a obra possui cenas de ação muito bem produzidas com animação fluída nos momentos mais relevantes onde é realmente necessário e sua trilha sonora merece uma menção aqui por ter instrumentos como o pandeiro fazendo parte da composição musical.
    Saindo de detalhes técnicos e focando um pouco mais no enredo, Michiko to Hatchin é um anime em que sua história gira em torno de gangues e criminosos com brigas e tiroteios, seu primeiro episódio foca na protagonista mais nova (Hana/Hatchin) em um lar de padrastos abusivos e uma familia que claramente não possui nenhuma afeição com a garota, sua personagem mais gentil e contida contrasta muito bem com Michiko no início que é uma mulher que desce o cacete em geral e não tem medo de nada. A obra nos atrai e nos mantém com o relacionamento improvável cheio de idas e vindas das duas personagens que tem que aprender a conviver uma com a outra e cuidar uma da outra na busca pelo Hiroshi. 

    Os protagonistas
    Hana Morenos ou Hatchin: É metade da dupla que da nome a série, tem 9 anos no início da obra, é uma personagem que a princípio parece ser a "donzela em perigo" por ser uma criança e estar acompanhada de alguém como a Michiko que se envolve com frequência em situações de perigo, mas com o passar dos episódios ela adquire mais independência e adquire uma personalidade forte sem o fato dela ser tão nova se perder com o desenrolar de seu desenvolvimento.

    Michiko Malandro: O que falar da Michiko? Ela é durona, forte, corajosa, impulsiva e explosiva, as vezes parece que não tem medo de nada e por isso mesmo acaba em situações em que tem que lutar pela própria vida. No início ela é a tipica pessoa que banca a durona, mas amolece aos pouquinhos com a presença da outra personagem, além disso a moto dela é foda.

    RESTO DO ELENCO: A história tem muitos ótimos personagens que tem seus desenvolvimentos seja pelos seus mini arcos ou durante toda a trama, das mais variadas histórias e personalidades. Michiko to Hatchin com certeza não perde em personagens secundários. Vale ressaltar Satoshi Batista e Atsuko Jackson.

    Conclusão
    Michiko to Hatchin é empolgante, é divertido, é emocionante, sua história prende e seus personagens cativam em suas interações. Seu mundo fictício é bem construído e seus visuais são muito bonitos além de possuir uma grande qualidade de animação. Acredito que os pontos fracos da obra sejam um ou outro episódio que acrescentam pouco a trama principal, mas que podem ser relevados quando se olha a série como um todo. Recomendo esse anime pra quem é brasileiro e que gosta de uma história de ação que com certeza vai te prender durante os 22 episódios.

    Nota: 8.5

  • Capítulo 6


                    Restava pouco mais de uma hora para que a primeira metade do dia chegasse ao seu final, em regiões de maior incidência solar grande parte das criaturas precisariam buscar algum tipo de abrigo para não haver desidratação ou algum problema de pele. A Floresta Curta ficava localizada ao noroeste da Vila do Oeste e recebeu tal nome por sua mata fechada de demorada travessia, apesar da mesma não se estender por tantos hectares, viajar através dela requeria um pouco de cuidado e paciência. Contudo atravessá-la ainda era uma opção que economizava muito mais tempo do que tentar dar a volta, tal opção fora a escolhida por Kiri e Neil em sua missão.
                    Depois de bastante tempo andando o grupo decidiu parar para descansar, Neil sentou-se á sombra de uma árvore, Kiri se deitou sob o sol para relaxar um pouco enquanto a Bellossom que era quem os dois escoltavam estava perto de algumas flores próximas a um arbusto. O corpo da Pokémon era de coloração esverdeada, mas parecia um pouco desbotado, na altura da sua cintura saíam flores de cores verde e amarelas que rodeavam seu corpo como um vestido, algumas já estavam secas. No topo de sua cabeça havia duas flores de cor vermelha, uma delas dava sinais evidentes de murchidão, o rosto da pequena criatura do tipo grama possuía um olhar cansado de quem viveu uma longa vida.
                    — Você está muito bonita, querida. — A Pokémon conversava com a planta enquanto tocava as pétalas de uma de suas flores de cor branca, inspirando seu aroma logo em seguida. — E muito cheirosa também.
                    Kiri observava a Bellossom de longe, ela e Neil haviam se encontrado com a cliente bem mais cedo que o horário marcado, por conta disso e por pedidos da própria Pokémon decidiram partir em viagem antes do esperado.
                    — Senhora Daisy. — A Chikorita, ainda no sol, chamou a atenção da Bellossom que se virou.
                    — Pode me chamar só de Daisy, querida. — Andou calmamente até a Chikorita. — Por que me chamou?
                    — Eu queria te perguntar por que preferiu vir com a gente ao invés de pedir por um transporte que seria bem mais rápido e seguro...
                    — Ah Kiri... — Ela deu um sorriso amigável. — Vai chegar um tempo que não vou poder mais viajar desse jeito, então estou aproveitando a oportunidade.
                    — A senhora já viajou muito?
                    — Sim foram ótimos tempos quando era mais jovem. — Olhou para o longe com uma expressão de felicidade, como se estivesse enxergando o seu passado. — Espero que vocês consigam criar ótimas lembranças também.
                    — Eu também. — Ambas sorriram.
                    — Eram vocês dois que estavam andando com um Riolu pela vila?
                    — Sim ele é nosso amigo.
                    — Riolus são Pokémons muito interessantes, são fortes e têm muita energia. — Kiri prestava atenção em cada palavra dela. — Mas aquele lá está muito longe de casa.
                    — Eu sei disso. — A Chikorita lembrou-se que Neil havia lhe dito a mesma coisa. — Onde eles moram?
                    — Se me lembro bem... Fica além do Grande Oceano.
                    Kiri arregalou os olhos.
                    — Tão longe assim?!
                    — Como ele veio parar aqui?
                    — Nem ele sabe. — Neil chegou à conversa das duas que esteve escutando todo esse tempo. — Na verdade ele não se lembra.
                    — Esse é um belo de um mistério, não é? — Daisy riu. — Acho que é hora de irmos.
                    — Sim, eu ia chamar vocês. — O Starly olhou para o sol e se orientou para a direção que o grupo devia seguir. — Vamos.
                    Kiri se levantou e Neil bateu as asas e saiu voando para dar uma olhada melhor na área enquanto a Chikorita seguia com Daisy pelo solo, a viagem adiante ainda era longa, porém se conseguissem continuar no ritmo que estavam poderiam chegar até seu destino — um lugar conhecido como Campos Floridos — antes do sol se pôr. Durante o caminho puderam ver alguns Sunkern debaixo de plantas de pequeno porte que não pareciam querer ser incomodados, as vezes um ou outro Pidgey se movimentavam pelas árvores apenas observando a travessia deles.
                    — Você pretende voltar à vila? — Kiri perguntou antes de saltar sobre um tronco de árvore caído no caminho que estavam seguindo.
                    — Hoje foi meu último dia por lá. — Respondeu enquanto era ajudada a atravessar o obstáculo pela Chikorita com o chicote de seu Vine Whip. — Vou voltar a viver com minha família.
                    — E por que saiu de perto de sua família? — Após a pergunta olhou para a Pokémon e viu que Daisy sorria orgulhosa.
                    — Meu sobrinho. — Comentou. — Na época era um jovem Nuzleaf com bastante paixão, queria mais do que tudo conhecer a Vila e as Equipes de Resgate, mas ninguém o apoiou então eu fui com ele para a vila.
                    — Você não ta falando do capitão Hiroki né?
                    — Ele mesmo. — A Pokémon riu. — Ele pode parecer durão, mas é um doce e também muito empenhado com o que faz.
                    — Uau, não sabia disso.
                    — Ah! Como tempo passa.
                    De repente ambas as Pokémon do tipo grama escutam uma voz vindo de trás.
                    — E logo o de vocês vai acabar.
                    Kiri e Daisy se viraram no mesmo instante e se depararam com um Poochyena com uma feição ameaçadora rosnando para elas, a hiena dava lentos passos sobre o chão de terra úmida na direção das duas.
                    — Para trás! — A Chikorita se colocou entre a Bellossom e a Poochyena, encarando-o nos olhos. — Neil!
                    — Se lembra de nós, gracinha? — Outro Poochyena surgiu do matagal, Kiri já havia reconhecido cada um no momento que colocou os olhos em suas faces, eram os mesmos que havia encontrado antes, Adrien e Dwane. — Achou que ia ficar barato?
                    Mais três Pokémon da mesma espécie surgiram logo depois, Kiri e Daisy foram recuando à medida que as hienas iam se aproximando e então se viram cercadas ao ficarem com as costas para uma árvore de tronco mais grosso. Poucos segundos depois o Starly apareceu e pousou ao lado das duas.
                    — Vocês vão ver o que acontece quando se mete com a gente. — Dwane falou.
                    — Vo... Vocês estavam ameaçando um filhote! — Neil usou toda a coragem que tinha para falar.
                    — É a batalha pela sobrevivência, passarinho. — Adrien continuou. — Não da pra alimentar todo o bando com frutas.
                    “Foge” Kiri sussurrou para Neil, ele olhou para ela de volta e percebeu que o corpo dela tremia assim como o dele. “Leva ela”
                    “O que? Não eu não vou...”
                    Todos foram surpreendidos por um grande redemoinho de pétalas cor de rosa que passou por Kiri e Neil e foi na direção Dwane que estava no centro do grupo de Poochyenas, porém os outros estavam próximos o suficiente para serem empurrados para trás pelo ataque também, aquilo era um Petal Blizzard utilizado por Daisy que em seguida usou o Stun Spore e soltou esporos paralisantes no ar na direção das hienas.
                    — Corram! — Gritou Daisy.
                    — Não respirem isso! — Dwane que foi arremessado mais longe pelo ataque estava fora do alcance dos esporos gritou para o resto do bando.
                    Neil foi voando baixo desviando das árvores com boa agilidade para poder ficar próximo de Kiri e Daisy, a Chikorita notou que a outra do tipo grama estava ficando para trás por conta do cansaço, a Bellossom já não tinha o mesmo vigor de quando era uma jovem flor e utilizar aquele ataque reduziu ainda mais sua energia.
                    — Podem ir... — Ela já estava ofegante.
                    — Nada disso! — Kiri envolveu-a no seu chicote e deixou-a montada em suas costas segurando bem firme para que não ocorresse o risco da Bellossom cair, ela olhou de relance para o caminho que veio pela mata e viu que as Poochyenas corriam a todo vapor na direção deles.
                    Adrien era quem havia tomado a frente do grupo durante a perseguição ás duas Pokémon, apesar de não serem tão rápidos quanto Kiri, os Poochyenas haviam percebido que ela carregava Daisy em suas costas então ela logo se cansaria por conta de seu peso extra e por isso mantiveram o ritmo da corrida.
    ..
    Neil seguia voando a uma altura com que pudesse ver a Chikorita e as hienas enquanto desviava das árvores que apareciam em sua frente, porém em um momento que teve que fazer uma manobra de maior dificuldade perdeu sua amiga de vista, mas ainda estava no campo de visão dos perseguidores. Ele rapidamente voou para cima e se escondeu nos galhos entre as folhas das arvores.
    — Merda... Se eu me afastar demais vão todos em cima delas... — Falou baixo para si mesmo, ofegante, enquanto tentava traçar algum tipo de plano.
    ..
    Aproveitando um local em que passaram por uma vegetação um pouco mais densa, assim saindo temporariamente do campo de visão das Hienas, Kiri desviou da direção que estava seguindo e Daisy indicou para ela outro tronco caído em meio a mata que parecia ser oco, a Chikorita foi até lá para verificar e a hipótese foi confirmada e ambas rapidamente se viram lá dentro, Kiri tirou a menor de suas costas e a colocou lá antes de entrar.
    — Espero que não tenham visto a gente. — A Bellossom sussurrou enquanto espiava por entre os buracos na madeira sentindo a respiração quente e pesada de Kiri tocando seu corpo, então as duas ouviram um barulho que as fizeram prender o fôlego.
    Por entre as aberturas do tronco elas podiam um dos Poochyenas a poucos metros de distância de onde elas haviam escondido, ele olhava ao redor como se tentasse encontrar alguma pista de onde elas foram. Em seguida o Pokémon começou a farejar o ar e o chão, Kiri fez o que pode para não emitir nenhum ruído e pela sua mente só ecoava a frase “Por favor, não”, pois ela sabia que caso elas fossem encontradas o Poochyena chamaria a atenção dos outros de sua espécie e então estariam enrascadas.
    — Você perdeu a trilha delas?! — O Pokémon conhecido como Dwane chegou com mais um Poochyena ao seu lado.
    — Sim... — Recebeu um rosnado furioso como resposta. — M... Mas a Chikorita ta carregando aquela Bellossom, ela não vai correr por muito tempo sem descansar ou vai acabar desmaiando.
    — Tem razão, procurem por ela nos arredores e a tragam pra mim. Podem fazer o que quiserem com a outra. — Os dois assentiram e saíram correndo deixando Dwane para trás, mas logo ele também se retirou.
    — Ufa... — Kiri suspirou um pouco mais aliviada.
                    — Temos que nos mover com bastante cuidado agora.
                    — Desculpa Daisy... — Ficou de cabeça baixa. — Por nossa causa-
                    — Não é culpa de vocês. —A Bellossom usou os curtos braços para virar o rosto de Kiri para ela. — Vocês estavam tentando salvar um filhote não é?
                    — Sim, mas...
                    — Está tudo bem querida, é o trabalho de vocês, vamos sair daqui ta bom?
                    — Ta.
    ..
                    De cima das árvores um barulho chamou a atenção de Neil, ele caçou com o olhar o que acontecia lá em baixo onde o terreno era mais íngreme e coberto por pedras soltas. Apesar de tentar se mover silenciosamente, o Poochyena que passava por ali não contava com o terreno acidentado e acabou fazendo algumas pedras rolarem ladeira abaixo, o Starly analisou bem a situação e viu que apenas uma das hienas estava por ali. “Se eu acabar com ele...” Pensou. “Só vão restar mais quatro.” Podia ser um plano perigoso, mas não acreditava que eles poderiam sair daquela situação sem lutar.
                    — Vamos lá Neil... Eu acho que você consegue. — Falou para si mesmo.
                    A ave desceu do galho em um rasante na direção do Poochyena, acertando um poderoso Wing Attack de surpresa que fez a hiena bater contra uma árvore.
                    — Argh! É você!
                    O Pokémon do tipo Sombrio se levantou um pouco atordoado e foi para cima de Neil com um Tackle, mas esse conseguiu se esquivar com maestria, devolvendo com outro Wing Attack. O Poochyena aguardou o Starly chegar bem perto para conseguir acertar um Bite em sua asa esquerda e o jogou no chão. Sem ter chance de se recuperar do último ataque, Neil foi atingido por um Tackle, rolando pelo chão e acertando uma árvore.
                    — Você pode ter ganhado de meus irmãos com ajuda da verdinha, mas agora está sozinho. Você ta perdido e ela também. — Foi para cima com outro Bite.
                    — Não! — Neil bateu as asas e conseguiu sair do chão a tempo de se esquivar do ataque, vendo seu oponente acertar a planta ao invés.
                    O Starly usou o Double Team e formou um círculo de cópias no ar em volta do Poochyena que não soube qual delas atacar e então foi golpeado por dois Quick Attack seguidos vindos de direções diferentes e enfim atingido por um último Wing Attack crítico que o jogou ladeira abaixo, derrotado.
                    — Eu consegui... — Pousou no chão olhando seu oponente caído, esboçou um sorriso e então levantou vôo novamente um pouco desengonçado por ainda sentir a asa doer. — Estou indo Kiri!
    ..
                    A Chikorita não demorou muito para querer sair de dentro do tronco oco, ela ainda permanecia junto da mais velha naquele esconderijo, a idéia de se manter por lá por mais tempo deixava Kiri um pouco receosa com a possibilidade de elas serem encontradas — provavelmente não teriam a mesma sorte da última vez — portanto, a decisão mais prudente era deixar aquele local o quanto antes e tentar escapar sem serem vistas. Kiri pensou em procurar por Neil, mas por seu amigo ser um Pokémon do tipo voador acreditava que o Starly era mais esperto que o bastante para conseguir encontrá-las ou até mesmo pedir por ajuda. Ajuda, isso ela também discutiu mentalmente e chegou à conclusão de que dificilmente mandariam alguém considerando a missão que recebera, torcia para estar enganada. Teve que fazer um pouco de esforço para sair, pois estava de costas para a abertura que havia entrado, mas logo estava do lado de fora com Daisy.
                    — Sabe Chikorita... — Kiri se virou no mesmo instante que ouviu a voz vinda detrás delas, aquele que havia falado era um Pokémon que se parecia com as Poochyenas, porém era maior e mais forte fisicamente, seu corpo era coberto de pelo cinza clara com exceção das costas e das patas que possuíam pelagem quase negra. O Mightyena estava sentado no chão e falava calmamente, mas apenas sua presença já aumentava o clima de tensão no ar. — Você pode ter vencido meus irmãos uma vez, até mesmo ter conseguido despistá-los, mas saiba que o cheiro de um Pokémon assustado eu posso sentir de qualquer lugar.
                    A mais nova ficou estática e assustada encarando o Pokémon à sua frente, de todas as possibilidades que imaginava que poderia acontecer naquele dia essa era uma que Kiri não havia nem mesmo cogitado. Daisy pensou em atacá-lo como fez anteriormente, mas não sabia o quão forte era o oponente e isso poderia só esgotar-la mais rápido.
                    — O que foi? — O tipo Sombrio perguntou em tom de deboche. — A hiena comeu sua língua?
                    Pôde ver Kiri dando um passo para trás.
                    — Você não vai fugir, sabe por quê? Porque se você fugir vai chamar a atenção dos outros e eles têm mais vontade de te morder do que eu. — Colocou-se sobre quatro patas, sua expressão ficou mais séria. — Vamos brincar.
    ..

  • Neo Aliança contra o Covid-19

         Olá, pessoal! Com a pandemia do Covid-19, praticamente toda a população global passou a adotar medidas para diminuir a disseminação do vírus, desde medidas de higiene até o isolamento social. Sabemos que todos gostamos de estar perto daqueles que amamos, seja em casa ou na rua, por isso, nós da Neo Aliança decidimos fazer aqui uma semana especial para tornar esse período mais fácil para nossos leitores. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de hoje! Esperamos que esses capítulos sejam uma contribuição, ao menos que pequena, para tornar a quarentena de vocês mais fácil.
             Ah! E também teremos a inauguração de uma nova região ao final dessa semana. O Wall retornou à Neo Aliança e agora será responsável para dar vida aos personagens dos jogos do Pokémon Colosseum, da região de Orre!

            Lembrem-se! Manter distância é um ato de empatia, mas a leitura ultrapassa qualquer distância!

             Confiram nosso cronograma:


    21/03 - Neo Pokémon Kalos
    22/03 - Neo Pokémon Mystery Dungeon 
    23/03 - Neo Pokémon Galar
    24/03 - Neo Pokémon Johto
    25/03 - Neo Pokémon Kanto
    26/03 - Neo Pokémon Unova
    27/03 - Neo Pokémon Hoenn
    28/03 - Neo Pokémon Sinnoh
    29/03 - Neo Pokemon Orre (Inauguração!)

  • Capítulo 5

                    As horas da manhã iam se passando à mesma medida que a temperatura do ambiente subia, às vezes alguma nuvem fazia um favor para os moradores da Vila do Oeste e cobria o sol trazendo uma agradável e desejada sombra. Lá dentro os Pokémon seguiam suas respectivas rotinas e afazeres, afinal todos os moradores precisavam fazer a sua parte para manter a vida daquela sociedade organizada e funcionando da melhor forma possível. Os arredores da vila eram preenchidos com uma floresta com muitas árvores que sua madeira era utilizada para diversos fins, de forma consciente e replantando mudas sempre que possível, pois aquele lugar servia de lar para várias criaturas que viviam na região.
    No interior dela, Richard continuava na sua missão de descobrir quais movimentos ele conseguia fazer. Depois que Ciara saiu da floresta para retornar a suas obrigações o Riolu ficou por lá tentando aprimorar seu ataque recém aprendido — o Metal Claw — levou algumas tentativas até poder conseguir “ativá-lo” no momento que quisesse então deixou os troncos das árvores ao redor com várias marcas de garras, mas ficar usando-o repetidas vezes iria fazer sua energia corporal se esgotar logo, então decidiu dar uma pausa. Mesmo essa espécie de treino que estava fazendo ter durado pouco tempo, sentia que conhecia um pouco melhor seu corpo de Pokémon, então lembrou-se do que a Absol havia lhe dito.
                    — Se quiser treinar de verdade ao invés de socar árvores pode ir ao dojo... Estamos abertos para ensinar a todos.
                    — Eu deveria voltar lá? — Perguntou-se. — Alguns lá estavam olhando estranho pra mim... Ah que se f... Que se dane.
                    Decidiu-se então que iria até o dojo para aprimorar suas habilidades, a verdade era que ele estava preocupado em sofrer algum tipo de constrangimento por lá já que era inexperiente, mas tentava não se deixar levar por esse tipo de pensamento. O Riolu deixou a área em que treinara, torcendo para ninguém se incomodar com as marcas que havia feito nos troncos das árvores ou até mesmo que ninguém pensasse que alguma fera misteriosa estava pelos arredores. Logo ele já estava de volta ao interior da vila, apesar de conseguir andar por lá sozinho, a ausência dos outros dois lhe dava a sensação de que algo estava faltando, não sabia se Kiri e Neil já haviam partido em sua missão — apesar de acreditar que sim — mas o azulado também sabia que não poderia contar com seus novos amigos para sempre, afinal eles tem suas próprias vidas para cuidar.
                    Foi nessa viagem de pensamentos que Richard chegou até a famigerada construção de telhado vermelho, já era a terceira vez que ia a aquele local e acreditava que estava longe de ser a última. Ao passar pelo corredor que dava no salão onde ocorriam os treinos de combate procurou, dentre a esperada boa quantidade de Pokémon no local, por qualquer um que parecesse ser o responsável naquele momento.
                    — Hm...
                    — MUITO BOM TRABALHO. — Uma voz de tom mais alto se destacava entre as demais, o dono dela era um Pokémon tipo bípede do tipo grama com cerca de um metro e trinta de altura, seu corpo parecia ser composto inteiramente de uma madeira de cor marrom, possuía uma juba branca que cobria seu rosto e descia pelas suas costas até o chão, de suas mãos saíam três longas folhas que faziam o papel de dedos. O Shiftry falava com quem pareciam ser dois aprendizes que haviam acabado de ter uma luta, um Sandshrew e um Meditite. — VOCÊS LUTARAM MUITO BEM, PODEM DESCANSAR ALI.
                    Richard teve um pouco de receio em conversar com o Shiftry, tanto pela maneira como esse falava, mas também por ele ser bem mais alto que o Riolu. O azulado apenas respirou fundo e foi andando até o Pokémon, cutucando-lhe pelas costas.
                    — An... Senhor?
                    — DIGA. — O tipo grama se virou, a característica feição irritada de sua espécie oscilou quando avistou o Riolu, Richard notou, porém nenhum dos dois falou nada sobre o assunto.
                    — Eu quero fazer parte dos treinos...
                    — SÓ UM SEGUNDO. — Ele ergueu a cabeça para olhar alguém que estava atrás de Richard. — ELON! DEKEL!
    O grito do tipo grama assustou o azulado, correram para o lado do Shiftry dois Nuzleaf, seus corpos também pareciam de madeira, porém com uma cor mais clara que a do maior, possuíam uma folha de tamanho médio saindo do topo de suas cabeças.
                    — Sim capitão! — Responderam ao chamado ao mesmo tempo.
                    — FAÇAM O REGISTRO DE... — Olhou para o Riolu, que disse o próprio nome. — RICHARD.
                    — Certo capitão!
                    — VAI COM ELES GAROTO.
                    O Riolu seguiu-os pelo estabelecimento, passando pela mesma entrada que se lembrava que seus amigos haviam ido ao lado de Ciara mais cedo que dava a mais um corredor, entraram pela primeira porta do lado esquerdo. A sala mantinha o padrão do restante da construção, possuía um balcão de madeira próximo a parede oposta à porta, alguns caixotes pelos cantos e havia uma grande janela — na verdade era só uma abertura na parede — em que era possível ver o topo de algumas casas da vila ao longe por cima da vegetação que preenchia aquela lateral do dojo. O Nuzleaf chamado Elon foi até atrás do balcão e pegou algumas coisas de dentro dele, uma folha de papel que se assemelhava com o papel que conhecia, porém com um tom amarronzado, nele havia algumas coisas escritas que Richard estava longe demais para identificar, além disso, o Pokémon também pegou o que o azulado identificou como uma espécie primitiva de lápis, um material escuro que servia como grafite preso no meio de dois pequenos pedaços de madeira.
                    — Como vocês fizeram papel?
                    — Do mesmo jeito que qualquer um faria papel. — Elon falou enquanto terminava de arrumar as coisas.
                    — Na verdade ele não sabe como se faz papel. — Dekel que estava ao lado de Richard respondeu.
                    — E como se faz? — Disse Richard.
                    — Eu não sei. — O Nuzleaf deu de ombros.
                    — Vamos parar de perder tempo. — Elon segurou o lápis com a mão direita, mesmo o Pokémon possuindo uma mão que se assemelha a uma luva com dedos juntos, a forma como o Nuzleaf agarrava o objeto era bem firme. — Nome?
                    — Richard. — Observou o outro anotando.
                    — Espécie?
                    — Hm... Riolu?
                    — Tipo?
                    — Sério mesmo? — Perguntou de volta, foi respondido com um olhar nada agradável. — Ok... Lutador.
                    — Altura?
                    — Não faço idéia.
                    Dekel mostrou na parede onde ficava a porta, havia uma série de marcações na vertical que funcionavam como uma régua e pediu para Richard encostar lá.
                    — Uns setenta centímetros. — O Nuzleaf indicou para Elon
                    — Forma física?
                    Richard pensou no que responder, mas antes de dizer algo ele sentiu seu braço esquerdo recebendo algumas apertadas leves de Dekel, em seguida o tipo grama olhou para o companheiro e fez um sinal de “mais ou menos” com a mão.
                    — Jura? — O Riolu sussurrou para si mesmo e revirou os olhos.
                    — Tem interesse em fazer parte das Equipes de Resgate?
                    — Eu não sei ainda.
                    — Hm... Certo Richard vem aqui. — Enquanto o azulado se aproximava, tirou mais alguma coisa de dentro do balcão, um recipiente redondo e raso feito de barro com uma fina camada de um líquido preto no fundo. — Molhe sua pata ali e então pressione ela aqui.
                    — Ok... — O Nuzleaf virou a folha para ele, indicando um quadrado em branco no fim da página que deveria deixar sua “digital”. Antes de se mover ele tentou ler o que estava escrito, mas o texto era feito de caracteres estranhos em um idioma que nunca havia visto antes, então para não demorar mais molhou sua pata na tinta e deixou a marca dela no local indicado.
                    — Tudo pronto, bem vindo ao dojo e blablabla... — Elon falava enquanto guardava tudo. — Pode levar ele de volta e colocá-lo junto com os outros iniciantes.
                    Assim o azulado foi guiado por Dekel de volta ao salão, o segundo fez um sinal para o Shiftry quando chegaram por lá. O maior estava com um grupo de Pokémon que Richard deduziu que era um grupo de iniciantes, uma vez que quase todos estavam em seu primeiro estágio de evolução.
                    — PARECE QUE TEMOS UM NOVO NOVATO. — O grupo mudou toda sua atenção para o Riolu que se aproximava junto com o Nuzleaf.
                    — Senhor Hiroki. — Um dos Pokémon do grupo levantou o braço para chamar a atenção, era um rato de cor amarela e bochechas vermelhas, possuía longas orelhas e uma cauda em formato de raio. — Eu quero batalhar com ele.
                    — Hã?! — Ao olhar bem o Pikachu, o Riolu percebeu que ele era um dos Pokémon que o olhavam de longe quando esteve por lá mais cedo, não entendia o que motivava o tipo elétrico a agir daquela forma.
                    — OLHA SÓ, BOA INICIATIVA LUKE. — O Shiftry sorriu orgulhoso.
                    — Ele parece forte.
                    — VOCÊ ACEITA RICHARD?
                    — Eu... Hã...
                    — Não vai amarelar no primeiro dia não é? Novato. — Luke provocou, o grupo de Pokémon ao redor olhou para Richard esperando uma resposta.
                    — De nós dois foi você quem nasceu amarelo, acho que isso tem um significado. — Richard provocou de volta em um tom calmo, um “uuuuh!” ecoou ao redor deles, os dois se encararam. — Eu aceito.
                    Logo o Pikachu e o Riolu se posicionaram em uma das áreas área de piso mais duro onde ocorriam as batalhas, o Shiftry ficou na lateral como uma espécie de árbitro e os outros Pokémon se posicionaram ao redor apenas como espectadores.
                    — QUERO UMA LUTA JUSTA, ATAQUES ESPECIAIS SÃO PROIBIDOS AQUI DENTRO E QUEM SAIR DA ÁREA DE BATALHA É CONSIDERADO DERROTADO!
                    — Entendido! —Os dois responderam em conjunto.
                    Ambos se colocaram em posição de batalha, Richard estava bastante nervoso, pois seria sua primeira luta séria enquanto Luke demonstrava estar bastante confiante, mesmo a proibição de ataques especiais o impedindo de usar boa parte de seus movimentos do tipo elétrico. O Riolu respirou fundo e tentou se concentrar, ele viu faíscas elétricas saindo das bochechas de seu oponente. O Pikachu fez seu primeiro movimento, partindo com um Quick Attack muito veloz, Richard utilizou do mesmo movimento para conseguir esquivar-se por pouco, porém o Pikachu aproveitou-se da curta distância e disparou uma pequena descarga elétrica no azulado que sentiu como se seus músculos não funcionassem direito e acabou perdendo o equilíbrio durante o movimento e caiu rolando pelo chão do campo de batalha, aquilo era um Thunder Wave.
                    — Droga... — Conseguiu se levantar com dificuldade.
                    — Já ta pensando em desistir? — Luke deu uma piscada com o olho direito para ele.
                    — Não, to tranquilo... Ngh...
    — Aviso que vai se arrepender.
    O Pikachu correu na direção de Rick e então usou o Double Team, fazendo quatro cópias de si mesmo aparecerem ao redor do Riolu, todas pareceram partir para cima com mais um Quick Attack ao mesmo tempo, Richard tentou se esquivar do Pikachu que veio da mesma direção que Luke estava antes de utilizar o ataque, porém aquela era apenas uma cópia e ele foi atingido pela lateral, caindo próximo ao centro da arena. As cópias desapareceram depois disso, mas o tipo elétrico voltou a repetir o movimento e conseguiu atingir Richard mais uma vez que mal conseguia se manter em pé.
    — Sinceramente eu esperava mais. — A voz parecia vir de todas as cópias ao mesmo tempo.
    — Vamos lá Rick, seu desgramado... — O Riolu sussurrou para si mesmo enquanto tentava perceber qualquer coisa que o fizesse identificar o verdadeiro Pikachu, até que se deu conta de que podia sentir a aura do rato elétrico emanando de seu lado esquerdo segundos antes desse partir para mais um ataque.
    Richard em uma reação rápida conseguiu dar um salto bem alto para se esquivar do golpe, Luke percebeu a movimentação e usou o Quick Attack para cima na intenção de acertá-lo enquanto caía. De repente, enquanto ainda no ar, o corpo do Riolu foi contornado com um brilho de cor avermelhada, então ele concentrou toda sua força restante em sua perna direita e acertou um poderoso chute, um golpe crítico na cabeça do Pikachu que atingiu o chão com bastante força já derrotado. A platéia que acompanhava essa batalha já havia dobrado de tamanho, após verem que Luke estava fora de combate a primeira reação foi silêncio e depois todos começaram a gritar em entusiasmo.
    — Isso foi um Counter...? — Ainda cético com o que aconteceu e sem forças para levantar, Richard apenas observava sentado a reação dos presentes com o que havia acabado de fazer, passeou seu olhar pela platéia, mas teve a visão deles obstruída quando Hiroki apareceu em pé na sua frente.
    — BOA BATALHA GAROTO, COMA ISSO. — Jogou duas frutas, uma arredondada e vermelha conhecida como fruta cherri e a outra era uma fruta oran, então estendeu a mão feita de folhas para ajudá-lo a levantar. — NÃO TREINOU EM NENHUM OUTRO LUGAR?
    — Na verdade não, nem sei o que eu fiz. — Comprimiu os músculos da face ao sentir o gosto azedo da cherri em sua boca, mas após comer os frutos começou a sentir seu corpo voltando ao normal.
                    — Boa luta. — Luke se aproximou andando sobre duas patas, não olhava para o rosto do Riolu, estendeu a pata dianteira direita para ele em um cumprimento.
                    — Você foi bem, eu tive sorte. — Respondeu ao cumprimento dele tocando na pata do mesmo. — Se você pudesse usar ataques especiais eu tava ferrado.
                    — Com certeza, depois quero um revanche sem restrições. — Ele sorriu.
                    — Só não pode ficar chateado se perder de novo. — Richard sorriu de volta.
                    Os dois se retiraram do campo de batalha e foram se sentar em um dos bancos de pedra enquanto Hiroki preparava os próximos Pokémon que iriam para a luta, Rick se recostou na parede e respirou fundo, sentiu o ar fresco preenchendo seus pulmões e então deixando eles enquanto seus batimentos cardíacos retornavam ao seu ritmo normal.
                    — Batalhas Pokémon são sempre tão intensas?
                    — Já ta cansado? — O amarelo olhou para Richard. — O dia ta começando ainda, sabia?
                    — Não, é só que... — Ele avistou Ciara andando pelo salão, ela parecia avoada como se sua mente estivesse em um lugar bem longe dali, de repente a atenção dela foi obtida por um Teddiursa que apareceu e a disse algo, o que quer que o Pokémon tenha dito a ela pareceu colocá-la de volta no mundo real, então deu meia volta e passou por uma das portas do salão, antes da Absol sair de sua vista ela deu uma rápida olhada para o lado, diretamente para ele.
                    — Hm...? — Luke se virou para ver se tinha algo de errado acontecendo atrás dele, mas não havia nada. — Que foi?
                    — Nada eu só viajei aqui... Enfim, qual seu nome mesmo?
    ...
                    As patas dos Pokémon tocavam o solo úmido da floresta com suavidade o suficiente para quase não emitir nenhum ruído, sua movimentação era silenciosa e eficiente enquanto os focinhos trabalhavam arduamente para tentar encontrar o cheiro da presa mais próxima, infelizmente para eles sem bastante sucesso. Era o que se acreditava até uma das Poochyenas sentir um odor um tanto familiar.
                    — Ei Dwane. — A sussurrada e rasgada voz da hiena pôde ser ouvida pelo resto do grupo, mas não chegava muito além. — Ta sentindo isso?
                    — Sim... — Deu algumas fungadas no ar. — São eles.
                    — Hora do acerto de contas.


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