• Capítulo 10

     

                    O chão chacoalhou sob as patas de Richard. Não era como da primeira vez dias atrás, era mais intenso. Por sorte estava em uma área aberta da Vila e não tinha nada que poderia cair nele, ainda assim, entretanto, perdeu o equilíbrio e se viu caindo sentado no chão. Vários Pokémon ao redor dele passaram pelo mesmo. Alguns caíram no chão, mas os que podiam flutuaram pelo ar, usando de poderes únicos a cada qual. Richard sentia como se o mundo estivesse tremendo, o barulho que vinha das camadas mais profundas da terra fazia parecer que o chão fosse se abrir a qualquer minuto, apesar disso não ter acontecido.

    Quando o terremoto finalmente passou ele não desmaiou, mas permaneceu sentado encarando o nada, sentindo seu coração pular como se quisesse sair de seu corpo. Richard respirou devagar até sua pulsação baixar e se achar em condições suficientes para se colocar de pé. Quando levantou, o mundo a sua volta que antes parecia ter ficado quieto voltou a ter som. Olhou os Pokémon lentamente voltando a sua rotina, mas claramente assustados. Não era como se houvesse outra maneira de ficar depois do que haviam presenciado.

    — Está ficando pior. —ele ouviu alguns comentários.

    — Se isso continuar sendo um problema, talvez devêssemos viver em uma região mais distante.

    — Será que podemos continuar criando as crianças aqui?

    — Eu disse que aquele Riolu era sinal de azar.

    — Não diga isso! — alguém o defendeu. — E ele pode nos ouvir… — sussurrou ao fim, entretanto.

                    Richard baixou o olhar e não ousou se virar na direção de onde vinham as vozes. Logo o azulado ouviu uma outra voz muito próxima a ele.

                    — Você tá bem?

                    A surpresa o fez dar um pequeno salto para o lado, mas então percebeu que eram apenas Kiri e Neil que o olhavam preocupados. Richard não estava junto dos outros dois quando tudo aquilo começou e nem havia notado quando os amigos se aproximaram dele.

                    — Ah... S-Sim. —respondeu um tanto inseguro.

                    — Como você desmaiou da última vez, achamos que poderia ocorrer novamente. — Neil falou. — Mas como te achamos acordado, creio que já é um progresso.

                    Richard levantou uma sobrancelha e riu.

                    — Com certeza. Obrigado por se preocuparem.

                    — Nós ouvimos... Você sabe. — Kiri olhou-o um tanto preocupada. — Está bem mesmo?

                    Ele confirmou com a cabeça.

                    — Não se preocupem com isso. — Rapidamente mudou o assunto. — E aí, conseguiram aquela coisa?

                    — Sim. — Kiri segurava algo com seus cipós em suas costas ao qual ela puxou e mostrou para o Riolu. Uma bolsa de pano com duas alças para os braços. Richard foi o escolhido para carregar a mesma já que ele era bípede e fisicamente mais forte, teria menos trabalho para levar a carga da equipe.

                    — Parece bom o suficiente. — pegou e colocou em suas costas, o Riolu percebeu que já haviam algumas coisas lá dentro. Provavelmente Kiri e Neil prepararam o que necessário para a próxima viagem. — A não ser que a gente queira carregar algo grande, eu acho que vai servir.

                    — Se aguentou no armazém, isso daí não vai ser nada. — Neil falou.

                    — Então, pra onde vamos?

                    — A gente vai na Caverna do Trovão buscar algumas pedras e voltar.

                    — E é perigoso?

                    — Não, os Pokémon de lá não são hostis com visitantes e o caminho não é perigoso. O único problema é que a viagem vai ser um pouco longa.

                    — Então pegamos uma missão chata?

                    Neil confirmou com a cabeça.

                    — Acho que a Ciara não queria que a gente se metesse em perigo de novo depois do que aconteceu com os Poochyenas.

                    Já haviam se passado alguns dias desde que Kiri e Neil voltaram daquela missão. Depois que os dois contaram o que havia acontecido, Richard ficou em uma mistura de empolgação e medo. Não que quisesse ser atacado no meio da floresta, mas o pensamento de ter uma batalha de verdade o empolgava. Talvez fosse o sangue de tipo Lutador correndo pelas suas veias, não tinha certeza.

                    — E é quanto tempo de viagem mesmo?

                    — Com paradas pra descansar e tudo mais a gente chega no meio da tarde, coleta as pedras, dormimos por lá e voltamos pra cá perto do pôr do sol do dia seguinte.

                    — Pelo menos teremos a aventura e um ao outro para nos entreter. — Kiri tentou animar o grupo. Não obteve muita empolgação como resposta. — Não se esqueçam que toda missão importa.

                    Richard e Neil deram de ombros. Então a Chikorita e o Starly decidiram ir para suas casas para se prepararem enquanto Richard disse que tinha algo que queria fazer antes de irem. Este por tal deixou a bolsa com Kiri para ela colocar o que achasse necessário ali. Os três combinaram de se encontrar na saída leste da vila já prontos para seguirem viagem em um certo horário.

    ...

    Quando Kiri e Neil chegaram no local e hora marcados, Richard já estava os esperando. O azulado os avistou e sorriu, suas patas escondidas nas suas costas.

                    — O que você tem aí? — Kiri falou curiosa.

                    — Fechem os olhos. — ordenou, e os dois ouvintes sem questionarem muito obedeceram.

                    Primeiro Kiri sentiu algo sendo colocado ao redor do seu pescoço, até sentiu um pouco de cócegas com o que quer que seja que Richard esteja fazendo. Depois que ele acabou foi a vez de Neil passar pelo mesmo, os segundos foram se passando, Richard se posicionou em frente a eles e falou.

                    — Podem abrir.

                    Eles o fizeram e olharam para seus próprios pescoços. Neles havia uma espécie de tecido vermelho amarrado, era algo como um cachecol, um lenço ou uma bandana, não sabiam dizer. A de Kiri era um pouco maior que a de Neil por conta de seus tamanhos serem diferentes. A Chikorita olhou para o Riolu e percebeu que ele também estava usando uma.

                    — Eu pensei que seria legal se a gente tivesse a nossa própria marca ou algo assim... E eu acho que a gente parece mais um grupo de aventureiros desse jeito. — Richard torcia internamente para que não tivessem detestado. Kiri e Neil se viraram um pro outro.

                    — Ficou bom? — O Starly falou.

                    — Você parece uma pequena, mas corajosa ave. — Ela riu. — E eu?

                    — Ficou legal, nem parece que você é Prata.

                    — Você é prata também. — inflou as bochechas.

                    Richard gargalhou com a pequena discussão, então os amigos olharam-no.

                    — Que bom que gostaram! Vocês me deram a insígnia então eu queria dar algo pra vocês também.

                    — Não precisa nos dar nada, mas obrigada!

                    — Podemos ser a Equipe da Bandana Vermelha. — Neil sugeriu.

                    — Muito grande. — Richard coçou o queixo, tentando reorganizar as palavras semelhantes de uma forma que não ficasse estranho.

                    — Não precisamos ficar quebrando a cabeça com isso agora, vamos!

                    O trio enfim partiu. Após deixar os limites da vila eles se dirigiram para o norte, a direção onde ficava seu destino. Richard perguntou para Neil como ele era tão bom em orientar a si e aos outros. Depois de uma longa explicação sobre mapas, posição do sol,  direção do vendo e pontos de referência no ambiente ele desistiu de tentar entender por enquanto.

                    — O Neil é meu guia. — Kiri falou. — Sem ele acho que eu nem teria voltado pra casa de nossa primeira missão.

                    — Agora é nosso guia.

                    Ele pode ver o Starly pondo uma expressão orgulhosa em seu rosto antes de bater as asas e levantar voo, se tornando apenas uma mancha ao longe no céu azul. Enquanto isso Kiri explicava que o caminho possuía uma parte de planície, uma de floresta e quando chegassem a um lago seria o sinal de que estavam próximos da caverna. A manhã estava ensolarada, mas não dispunha de um calor intenso, a expectativa é que pudessem chegar ao trecho de floresta antes do sol ficar a pino.

                    — Você ficou com medo? — Richard puxou assunto, olhando apenas para o caminho que seguiam. — Quando encontrou o Mightyena.

                    — Claro! Eu estava sozinha ao lado de uma Pokémon mais velha contra um oponente que era mais forte que nós.

                    — Você pensou que talvez... Pudesse não voltar pra casa?

                    A Chikorita ficou quieta por algum tempo, Richard considerou que talvez estivesse sendo indelicado demais, mas antes que pudesse retirar a pergunta Kiri respondeu:

                    — Quero dizer... Eu tentei ter o máximo de forças que dava pra ter naquele momento, mas... — ela fez uma pausa. — Se a Ciara não tivesse aparecido, não sei o que poderia ter acontecido com a gente.

                    Foi a vez do azulado ficar em silêncio.

                    — Desculpa... Acho que não devia ter tocado nesse assunto.

                    — Tudo bem... — ela sorriu de canto de boca. — Pelo menos temos uma boa história pra contar.

                    — Como consegue ser tão positiva?

                    — O primeiro passo pra conseguir alguma coisa é acreditar que vai, não é? Por isso eu tento pensar dessa forma.

                    — Entendo... Eu não devo ser o primeiro que te faz essa pergunta.

                    — Na verdade é sim.

                    — Acho que Pokémons tem uma vida que permite que eles sejam mais positivos.

                    Ela fez um olhar confuso.

                    — Como assim?

                    — Do que estão falando? — Neil desceu e se aproximou antes que Richard pudesse responder, planava a poucos metros acima dos dois no solo.

                    — Só bobagem pra passar o tempo. —desconversou o Riolu.

                    — Ei Richard, o lugar onde os Riolus moram é muito diferente da nossa vila?

                    — Por que a pergunta?

                    — É que você sempre ficava tão impressionado com tudo que via ali, daí eu queria saber. —riu. — Até parecia um pouco sem noção.

                    — Eu só não estava acostumado... —ele olhou para Kiri tentando inventar alguma coisa, e ela percebendo respondeu com um “fala logo” silencioso.

                    — Não tem uma vila lá também?

                    Onde eu morava a gente tem sim... —ele coçou o lado da cabeça. — Mas não era desse jeito... Não tinham tantos pokémons.

                    O Starly pousou poucos passos à frente, os outros dois pararam de andar.

                    — Como assim?

                    — O que tinha mais por lá eram humanos.

                    — Você conheceu humanos? Mas você não mora do outro lado do grande oceano?

                    — Na verdade não... Onde eu morava era a cidade dos humanos. — Richard pouco sabia onde exatamente ficava o “grande oceano” e muito menos ainda onde era o outro lado dele.

                    Neil arregalou os olhos.

                    — VOCÊ É DE ESTIMAÇÃO?!

                    — O que? Não! — negou veemente com a cabeça. — Não... Eu vivia na cidade dos humanos porque eu era um humano.

                    A ave fez uma expressão confusa, alternou o olhar entre Richard e Kiri que apenas ouvia a conversa dos dois para saber que aquilo não se tratava de uma pegadinha.

                    — To esperando o fim da piada.

                    — Não é piada, o motivo de tudo nesse lugar ser surreal pra mim é que o lugar de onde eu vim é totalmente diferente. Eu nunca vi Pokémons que falassem minha língua, ou que construíram uma vila para morarem juntos.

                    — Você acredita nisso? — Ele olhou para Kiri, que assentiu com a cabeça. — Meu Arceus... Eu preciso de um tempo pra digerir isso.

                    Neil abriu as asas e rapidamente buscou ficar a uma distância considerável dos outros dois.

                    — Está tudo bem com ele? Não achei que fosse surtar. — O azulado perguntou Kiri enquanto observava a mancha cinza no fundo azul que Neil novamente havia se tornado.

                    — Ele não surtou, ele só... Ficou muito surpreso ao ponto de precisar se afastar e pensar sobre isso sozinho.

                    — Então ele surtou. — estreitou os olhos enquanto a Chikorita deu de ombros e sorriu.

                    — Relaxa, no máximo ele vai te encher de perguntas depois.

                    — Espero não “Starly” dando um choque.

                    —...

                    —... Na minha mente soava melhor.

                    Para a surpresa de Richard, a Chikorita deu gargalhadas espontâneas.

                    — Foi tão ruim que foi boa. — brincou — Vamos.

                    A viagem então seguiu com Neil os acompanhando de cima. Richard não fazia ideia do que diabos o Starly estava pensando em relação a ele, mas decidiu escutar o conselho de Kiri e não encher muito sua cabeça com isso. A sequência foi um pouco mais quieta e entediante, eles andaram por aproximadamente uma hora e então fizeram uma pausa para descansar. Escolheram um bom local perto de uma árvore que fazia uma sombra consideravelmente grande. Richard fez um sinal para Neil do solo esperando que ele viesse para junto deles. Então o Riolu tirou a bolsa das costas, colocou-a no chão e se sentou. Então notou a Chikorita deitada sob o sol.

                    — Não devia descansar na sombra?

                    — Eu preciso deixar minha folha pegando sol de vez em quando.

                    — A gente já pegou bastante sol até agora.

                    — Mas eu tava andando e gastando energia.

                    — Se você diz.

                    — Não seja impaciente, sinta!

                    Kiri balançou levemente a folha no topo de sua cabeça, e Richard então fungou o ar e sentiu um leve aroma, bastante agradável e até um tanto tranquilizante.

                    — Nossa, Não sabia que podia fazer isso!

    Ela sorriu e logo em seguida Neil pousou entre os dois.

                    — Ta tudo bem Neil? — Kiri perguntou.

                    — Sim. —ele se virou para Richard e se aproximou, o Riolu recuou a cabeça. — Quando voltarmos pra casa quero te levar a um lugar.

                    — Que lugar?

                    — Um lugar.

                    — Vai me nocautear e jogar do penhasco?

                    — Que horror, não! Só quero que você conheça uma pessoa.

                    — Que pessoa?

                    — Você é muito curioso.

                    — Ok... Quer comer?

                    — Quero.

                    A refeição do trio foi num clima muito mais leve do que acreditavam que seria. Talvez fosse a fragrância da folha de Kiri que os deixavam um pouco mais relaxados. Richard se perguntou se aquilo fora proposital. Independente disso eles conversaram e riram de bobagens aleatórias jogadas aqui e ali em suas conversas.

                    — Então, você é um humano mesmo? — O Starly encarou-o.

                    — Eu era, na verdade deveria ser nesse momento.

                    — Prove.

                    — Como?

                    — Sei lá, faça coisas de humano!

                    Richard riu.

                    — O que seriam coisas de humano?

                    — Sei lá, você devia saber, você é humano! — riu também, então sua expressão ficou séria e seu olhar ficou distante. — Está mais longe de casa do que eu pensava, não é?

                    — Sim...

                    — Eu sinto muito.

                    — Não sinta, eu vou encontrar um jeito de voltar. — Ele colocou a pata nas costas da ave, acariciando de leve. — Se eu vim, deve dar pra voltar, né?

                    — Talvez. Mas e se não der?

                    — Eu não tinha pensado sobre isso. — Na verdade Richard tinha pensado sobre isso, mas a ideia de não poder voltar nunca mais o assustava. Baixou o olhar, contemplativo.

                    — Se não der... — Kiri puxou a atenção dos dois para ela. —Estaremos com você. Podemos não ser sua casa ou sua família, mas vamos te dar apoio.

                    — Infelizmente ela está certa.

                    — Vocês são legais demais. — Richard falou em seguida, sorrindo. — E se eu fosse alguém ruim?

                    — Te daríamos uma surra até ficar bom.

                    O ex-humano não pode conter as gargalhadas.

                    — Acho que é pra isso que os amigos servem.

                    Nesse momento perceberam que já haviam conversado por tempo demais, então eles arrumaram tudo e continuaram sua viagem, agora de humor revigorado.

                    O sol ia se aproximando da posição mais alta no céu quando finalmente avistaram o trecho de floresta ao longe. Segundo Kiri, essa floresta era habitada por várias diferentes espécies de Pokémon, mas estes já eram habituados com a passagem dos viajantes e não havia relatos de comportamento hostil recente. Quando ficaram sob a sombra das árvores o grupo se sentiu um tanto aliviado. Eles viram Butterfree’s polinizando e Hoppip’s flutuando por entre as árvores. Richard até avistou um grupo de Slakoth pendurado em uma árvore grande, nenhum deles parecia se mover o que era realmente intrigante. Fora os Pokémons que conseguiram avistar, os sons que a natureza emitia ao redor do trio indicava o quão vivo estava aquele ecossistema.

                    — Quanto tempo mais? — Richard sentou recostando-se numa pedra e suspirou aliviado por conta do pequeno e merecido descanso que pararam para ter. A Chikorita sentou no chão na frente dele.

                    — Estamos avançando num ritmo bom, só mais algumas horas e estaremos lá. — O tipo voador havia pousado em um galho poucos metros acima da cabeça do Riolu. — Mas eu percebi umas nuvens mais escuras surgindo no céu, o tempo ta fechando. — destacou.

                    — Isso vai acabar nos atrasando. — A esverdeada olhava para o céu que pouco se mostrava entre as árvores, mas desse pouco boa parte já assumia uma cor mais acinzentada mesmo enquanto o sol ainda não estava coberto pelas nuvens.

                    — Podemos andar o quanto der e procurar um abrigo caso chova. — Richard se levantou novamente. — Melhor nos apressarmos.

                    Os outros concordaram e se colocaram de prontidão para continuar seguindo em frente.

    ...

                    Os olhos já habituados a escuridão do Pokémon tipo sombrio não tiveram dificuldades para se adaptar a baixa luminosidade quando esses se abriram. Se encontrava em uma caverna a qual não tinha a mínima noção de onde era e sua última lembrança era a batalha contra aquela Absol. Como ele sentia raiva daquela Absol por nocautear seus irmãos e humilhá-lo na frente daqueles pirralhos. Não tinha dúvidas de que era um Mightyena forte, mas ele não teve a mínima chance contra aquela Pokémon.

                    A hiena passou um olhar rápido pelo seu corpo fazendo uma auto-avaliação. Não estava ferido e não sentia nada doer, talvez eles trouxeram-no para algum lugar de onde não conseguiria sair? Seria uma grande hipocrisia, visto o quanto os moradores da Vila do Oeste se fazem de altruístas com aquelas Equipes de Resgate, também tinha raiva deles. Quando levantou a cabeça para a única direção em que a caverna continuava, ela estava lá. Seus olhos vermelhos reluzentes na escuridão o fizeram recuar.

                    — O que você quer de mim?

                    — Algumas respostas.

                    — E por que acha que eu te daria alguma resposta depois do que aconteceu?

                    — Eu estava defendendo os meus e você os seus, não precisamos odiar um ao outro por conta disso. Não acha?

                    A Absol tinha um ponto, mesmo Nacht não querendo admitir. Ele se desviou do assunto.

                    — Onde estão os outros?

                    — Estão bem. Que gentil da sua parte se preocupar com eles.

                    — Cuide da sua vida!

                    — Eu entendo, família é importante. — Ela sentou-se no chão. — Agora responda; O que fazem por essa região? Não costumamos ter pokémons tão hostis por aqui.

                    — As coisas ficaram complicadas por lá.

                    Ciara levantou uma sobrancelha.

                    — Como assim?

                    — Estamos acostumados no alto norte a ter que lutar para sobreviver. Mas apareceu um grupo bem agressivo.

                    — Agressivos como vocês?

                    — Dá um tempo. — rosnou. — Fazemos o que fazemos por que temos que fazer. Você que vive no lugar onde vive nunca entenderia, o mundo não é colorido e brilhante. Enfim, esse novo grupo começou a atacar os menores e perturbar o mínimo de ordem que existia. Eles são fortes e por isso muitos os seguiram. Então eu chamei os rapazes e saímos de lá antes que viessem atrás de nós.

                    — Isso é tudo?

                    — Sim, agora me deixe ir embora daqui.

                    —Não parece tão valentão agora. —riu enquanto se levantava. — Vou te levar até os outros, não faça nada estúpido ou nunca mais vai sair daqui, ok?

    ...


    Próximo capítulo >>>